Vá ao médico quando estiver em sofrimento, reze quando
sofrer, medite quando sofrer. Não diga «Meditarei quando me sentir um pouco
melhor», pois isso não ajuda: vai acabar por não meditar e perderá assim uma
belíssima oportunidade num momento de sofrimento. Medite e tome consciência.
Não perca a oportunidade, é uma bênção.
Canalize todo o seu sofrimento para a meditação, e
rapidamente constatará que o sofrimento desaparece, porque a energia começa a
movimentar-se para o interior, e não para a periferia, para o sofrimento, ou
seja, o sofrimento não está a ser alimentado.
E o Deus vivo está dentro de si, mas você vive obcecado. A
fixação no exterior tem de ser quebrada. Não há necessidade nenhuma de fugir
para a floresta, pois isso não vai adiantar; ao longo de vinte e quatro horas
terá, com certeza, momentos suficientes para poder virar-se para o seu
interior. Não os desperdice! Sempre que tiver um momento, um instante que seja,
aproveite para fechar os olhos e procurar o Deus vivo que existe dentro de si.
Ele está lá, e basta um pouco de prática para ver e ficar sintonizado com a
escuridão interior.
Se for impaciente, o encontro pode não se concretizar
durante vidas e vidas, porque a própria impaciência não permite o estado de
tranquilidade que Jesus refere. O próprio estado de expectativa perturba. Se
estiver a pensar que alguma coisa vai acontecer, alguma coisa extraordinária,
então nada acontecerá. Se estiver à espera, na expectativa da iluminação, o
encontro nunca acontecerá. Não alimente expectativas. As expectativas pertencem
ao mundo da morte, à dimensão do espaço e do tempo.
A interioridade não comporta metas. Não existe outro caminho
senão o da espera, da paciência infinita. Jesus disse «Observa e sê paciente.»
Um dia, quando menos esperar, tornar-se-á iluminado. Um dia, quando se der a
sintonia perfeita, quando estiver preparado, subitamente será iluminado. Toda a
escuridão desaparece, e você ficará pleno de vida, vida eterna, vida que nunca
morre.
As pessoas não sabem viver sozinhas. Isso fá-las sentir
desconfortáveis e ansiosas. Que poderei fazer? Onde poderei ir? Desloca-se
então ao café, ao clube, à igreja, ao teatro; enfim, vai a qualquer lugar onde
encontre outras pessoas, ou então vai às compras. Para os ricos, o único jogo,
o único desporto que conhecem é o consumo. Os pobres nem chegam a entrar nas
lojas, apenas vêem as montras. Mas saem e misturam-se na multidão!
Estar só é muito difícil, muito invulgar e verdadeiramente
extraordinário. Porque sente tanta ansiedade? Porque sempre que está só
sente-se insignificante. Então sai e vai às compras... Pelo menos o empregado
da loja vai prestar-lhe atenção... O importante não é o artigo que acaba por
comprar, porque esse é apenas mais um objecto inútil.
In “A Semente de Mostarda”, Osho




